Folclore nosso
Os meios oficiais e religiosos reconhecem e valorizam o Congado ou Reinado de Rosário como a tradição mais antiga e de maior importância para a identidade do povo divinopolitano. Pena que o povo ainda não saiba, não reconheça e nem valorize da mesma forma.O Reinado de Rosário com as Danças do Congo chegaram a Divinópolis, ao início do séc. XIX, como celebração dos afrodescendentes livres. Com uma população predominantemente negra e com poucos escravos cativos, o arraial fervilhava nas comemorações anuais que se desenrolavam dias a fio. Em 1836, na comunidade de Branquinhos surgiu a primeira irmandade de pretos da região, bandeira que se levanta e se sustenta até hoje pelos ternos e abnegados locais.
Em 1830, a capela do Divino Espírito Santo e São Francisco de Paula, onde as primeiras festas ocorrriam, foi incendiada pela intolerência social. O sinistro acontecimento não reduziu o ânimo dos pretos devotos de N. S. do Rosário e de São Benedito. Cerca de 20 anos depois, o padre Guaritá, em nome do sossego público e em decorrência do grande número de participantes, convenceu os moradores mais abastados a patrocinar a construção da Igreja de N. do Rosário, destinada a essas celebrações, e assim foi feito.
O Reinado do Rosário é uma tradição mantida com muito carinho por zelosos praticantes, desde o início. Essas danças já foram aceitas e rejeitadas pela Igreja Católica e, nos momentos cruciais elas sobreviveram graças à intervenção política, como aconteceu no tempo do governador Benedito Valadares. A festa foi mantida em Divinópolis com apoio policial; na verdade, apoio dado aos reinadeiros liderados pelo Capitão Aristides (cozinheiro particular do governador). A Igreja condenava veementemente essas celebrações.
Para a gente que conhece a história de lutas para manter ativos o Congado e o Reinado, foi emocionante ver frei Leonardo com os reinadeiros na Missa Conga - visíveis seus apreço, respeito, entusiasmo, conhecimento e gáudio pela celebração quase bicentenária dos negros. Incorporou-se a essa manifestação, de modo que já não é mais possível distingui-la do religioso.
Cartazes lamentavam a sua transferência do Santuário de Santo Antônio, onde serviu como Guardião da Ordem.












