Depois que ouvi a história do menino de quatro anos que passou a noite ao lado da mãe, morta no acidente de veículo em que ambos estavam, passei a acreditar em interferências angelicais.

Era uma das madrugadas mais frias na região; ele sentadinho na cadeira de viagem, com calma. A situação não é muito diferente do que a gente imagina. Um carro capotando e rolando numa ribanceira, no lusco-fusco de lindo entardecer... e lá ficando até o amanhecer...

O que chamou a atenção na matéria da TV Integração foi que no fundo da ribanceira (fica próxima a Formiga, MG) só estavam os dois, mas quando os patrulheiros chegaram (incluídos bombeiros), ouviram do menino a preocupação com seus dois “irmãozinhos” João Gabriel e Jonathan, que teriam passado a noite com eles: — Onde estão meus irmãozinhos? — chorava. E mais tarde ainda queria saber o que fora feito deles, que estavam consigo no carro.

O caso desse menino e sua resiliência chamou a atenção do policial que atendeu a ocorrência, do bombeiro que recolheu e o aqueceu, e da pediatra que o atendeu, para quem ele foi um guerreiro. Nessas condições, segundo o bombeiro, hipotermia e desmaios eram de se esperar; mas, não, estava ele acordado e preso em sua cadeirinha, apenas com um corte na cabeça e uns dois ou três arranhões.

Apesar da trágica marca para a família e para ele próprio, a história ficou melhor quando se soube pelo pai, que ele é filho único e não tem irmãos.

João Gabriel e Jonathan, seriam, então, anjos?!