Enigmáticas, inquietantes, trágicas ou cômicas, assustadoras ou belas, as máscaras compõem um extraordinário acessório de formas e funções múltiplas, cujas origens se perdem na noite universal dos tempos.

Dentre as inúmeras funções das máscaras está a de reanimar os mitos que sustentam os costumes sociais.

As máscaras se revestem de um poder mágico especial. Por meio delas podemos ter acesso ao mundo invisível.

A multiplicidade de suas formas, que muitas vezes funde numa mesma figura traços humanos e animais, bem expressa a infinidade de forças circulantes no universo que, captadas pela máscara, aglutinam-se de modo a permitir ao ser humano confrontar-se com potências que jazem dormentes no mundo interior, desconhecido e sombrio.

Nesse mundo abissal está a chance do ser humano conhecer-se por inteiro. Os alquimistas representam esse fenômeno pela sigízia, ou o casamento entre sol e lua. Os taoístas revelam-no pela ciência de Yin e Yang.

Os povos magistas ensinam, de mesmo modo, há milênios, que assim como é embaixo é em cima; assim como é dentro é fora; assim como tudo foi, tudo é e sempre será.

E cada máscara representa um detalhe de Deus a ser reconhecido e experimentado em prol da evolução de nossas almas.


[Excertos de artigo "Os Dez Mil Rostos de Deus", de Paulo Urban, na Revista Planeta, edição 362, novembro/2002. Máscara n. 141, da artista plástica Mônica Facó.]
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