A televisão, a democracia e o preço das coisas
Dia desses estava lendo umas frases célebres de Apparício Torelli, Barão de Itararé (†) sobre a realidade da ditadura Vargas e suas "máximas e mínimas". Me fizeram lembrar do inesquecível amigo José Arimathéa Mourão (†) e seu estilo pitoresco, bem caracterizado na obra “Amor se escreve sem H” (1992).Enquanto selecionava algumas máximas para testar a descoberta, percebi que sua abordagem também se aproximava das considerações de José Saramago (†).
Fiquei imaginando:
Diálogo 1: Televisão
Itararé: “A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana”.
Saramago: “Acabo de ver nos noticiários da televisão manifestações de mulheres em todo o mundo e pergunto-me uma vez mais: que desgraçado planeta é este em que ainda metade da população tem que sair à rua para reivindicar o que para todos já deveria ser óbvio?”
Arimathéa: “TV faz a imprensa livre. Em todos os sentidos”.
Diálogo 2: Democracia e políticos
Arimathéa: “A democracia, tão badalada, é o regime em que as minorias governam e exploram as maiorias que, ignorantes e dóceis, ainda agradecem”.
Itararé: “A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas, em geral, enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele”.
Saramago: “Não são os políticos os que governam o mundo. Os lugares de poder, alem de serem supranacionais, multinacionais, são invisíveis”.
Diálogo 3: Tudo com seu preço
Saramago: "Sente-se uma insatisfação, sobretudo dos jovens, perante um mundo que já não oferece nada, só vende!"
Arimathéa: “O melhor negócio do mundo ainda é a exploração do homem pelo homem”.
Itararé: “O homem que se vende recebe sempre mais do que vale”.
[Não encontrei uma foto ou desenho de Arimathéa]












