O paradigma do trabalho, formalizado pelos teóricos estadunidenses, de que a vida se resume em trabalho, mercado e competitividade – praticado em quase todos os países ocidentais – é doentio e cruel e vai sendo mudado.

[A gente já refletiu, este ano, sobre aquele “caso do bebê esquecido pelo pai dentro carro ao sol” e vimos o quanto esse ideal é prejudicial e desnecessário.]

Mas um revolucionário conceito de trabalho está mudando essa visão, ao enfatizar a crescente tendência ao tempo livre e ao menos tempo de trabalho.

O sociólogo do trabalho Domenico de Masi descreve bem esse novo conceito, fazendo uma interseção de três elementos: trabalho, estudo e lazer, de modo que haja melhor distribuição de tempo, trabalho, riqueza, saber e poder.

A idéia é privilegiar a satisfação das necessidades radicais de introspecção, convívio, amizade, amor e atividades lúdicas, mais do que o trabalho.

“O homem que trabalha perde tempo precioso”

“Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e seu tempo livre, entre a sua mente e seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.”


[Excertos de “O ócio criativo”, de Domenico de Mais (2000)]