Por indiferença das autoridades educacionais e culturais, esta efeméride vai passando, mais uma vez, sem mais que esta pequena lembrança.

Minas Gerais, passou a ter esse nome em 1698, quando se estabeleceram os primeiros povoadores, ao longo do “Ribeirão do Carmo”, denominação esta em homenagem às Nossa Senhora.do Carmo, protetora da expedição que trouxe os embandeirados paulistas e que foi entronizada na primeira capela das minas recém-descobertas.

Desde esse momento, a padroeira das Minas Gerais passou a ser N. S. do Carmo, e sob sua proteção muitas guerrilhas foram travadas contra os abusos das autoridades. A Guerra aos Emboabas (1709) contra os abusos dos portugueses-baianos; a Revolta de Pitangui (1715) contra os altos impostos; a Revolta de Felipe dos Santos, contra a proibição de circular com ouro em pó e o monopólio de alguns produtos essenciais.

O comerciante Felipe dos Santos liderava um levante que envolvia uma invasão da Câmara de Vila Rica, mas foi traído por um membro do grupo. Assim, foi preso e condenado à morte pelo Conde de Assumar a ser esfolado pelas ruas de Vila Rica puxado por um cavalo.

Sua execução aconteceu em 16 de julho de 1720, durante os festejos de N. S. do Carmo. Sua revolta deu em nada, naquele dia; mas sinalizou para as autoridades o verdadeiro espírito mineiro que se formara nos levantes anteriores. Foi o tempo das informações alcançarem São Paulo e Rio de Janeiro e uma resposta chegou a Minas: alvará de criação da Capitania de Minas Gerais, 02-12-1720.

Por isso se comemora o dia de hoje.

O desdém pelos fatos históricos tem impedido, até hoje, que Minas Gerais tenha seu Hino Oficial e celebre sua data magna condignamente. Onde estão os historiadores mineiros?

A descaracterização chegou a tal ponto que, em 1958, a pedido de pessoas descomprometidas e ignorantes da história sugerisse ao Papa João XXIII a mudança da padroeira de Minas, que por mais de 160 anos estava nas colinas e montes de (da capitania, da província e do estado), por N. S. da Piedade (Letras Apostólicas "Haeret animia", de 20 de novembro de 1958), que chegou a Minas, quase ao final do Sec. XVIII, com a instalação do Colégio do Caraça (Serra da Piedade, Caeté).