Quando a gente mora muito tempo numa cidade e participa intimamente de sua existência, a todo momento, a gente se depara com hologramas de pessoas que tomaram parte na evolução urbana.

Hoje cedo, destaquei uma "pagela da Folhinha do Coração" e lá estava: 18, Dia Nacional do Trovador; e meu pensamento foi encontrar o nosso maior trovador: Sebastião Bemfica Milagre, grande e saudoso amigo da vida divinopolitana.

Nesse holograma, vi "Bem-fica Milagre", como eu o saudava, conversando comigo sobre "subjetividades", com fortes doses de filosofia e religiosidade elevadas.

O incognoscível

Nessa conversa, entre tantas que tive com ele, nos encontros das ruas, falávamos da capacidade de conhecer que trazemos dentro da nós. E ele me dizia que já investigara bem e descobrira que muitas coisas são conhecidas e muitas outras ainda são desconhecidas mas podem ser conhecidas em algum dia.

Entretanto, existiam as coisas incognoscíveis, que nunca serão dadas a conhecer pois extrapolam as condições humanas (espirituais e mentais).

Parecia estar parafraseando um sábio Juan Matus, sem nunca ter lido Castañeda). E me mostrou um poema que fez sobre esse tema, em 1979. Uma parte dele me marcou bastante, pelas palavras apropriadas que empregava para o indescritível:

"Na eterna vastidão aqui do Incognoscível,
Perante a eterna lei pacinca das esferas,
O espírito alcançou a luz que se procura
Depois da morte achar no imenso do Intangivel.

"À sombra do fanal voluto das moneras,
Neste pulcro país de cérula harmonia,
Eu fico sempre ouvindo a suave melodia
Ferida nos confins invioláveis da altura".

[Extrato de "Nihil Spiritualis", em "Sozinho na Multidão", de Sebastião Bemfica Milagre, 1979,p. 65)