A sabedoria do nó górdio
A história do "nó górdio" remonta ao sec. VIII a.C.A lenda diz que após a morte de um rei da Frígia (na atual Turquia), sem herdeiro, as sacerdotisas foram consultar o Oráculo e este profetizou que o próximo rei chegaria com sua mulher e um filho em um carro puxado por bois. E de fato isso aconteceu. Um camponês chamado Górdio foi reconhecido e coroado. E para não se esquecer de seu humilde passado ele mandou levar seu carro-de-bois até o Templo, amarrando-o ele mesmo a uma das colunas por meio de um nó impossível de desatar.
O reino de Górdio foi longo e famoso. Quando ele morreu, subiu ao trono o seu conhecido filho Midas, que expandiu o império e guiou seu povo a um grande desenvolvimento, mas se abdicou do trono por causa de seu toque de ouro e foi viver isolado na floresta. Nenhum dos filhos requisitou o trono e muitas estações se passaram sem uma manifestação. O Oráculo foi consultado novamente e profetizou que o guerreiro que desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor.
Quinhentos anos se passaram e ninguém conseguiu desatar o nó. Mas certo dia, passando pela Frígia com suas legiões, o príncipe da Macedônia, Alexandre Magno (um dos discípulos de Aristóteles), ficou implicado com a lenda e foi até o templo de Zeus certificar-se do intrigante nó feito por Górdio. Após algumas tentativas infrutíferas e análises metafísicas das possibilidades desembainhou sua espada e cortou o nó. A profecia se cumpriu e Alexandre se tornou rei de toda a região, poucos anos depois.
Daí a expressão “cortar o nó górdio”, cujo significado, hoje, é que um problema complexo pode ser resolvido de maneira simples e eficaz.
Ilustração: Alexandre, o Grande, cortando o nó górdio, óleo sobre tela, de Giovanni Paolo Pannini (c.1718-19)).












