Bellum omnia omnes (A guerra de todos contra todos)

Ontem mencionei Hannah Arendt (1906-1975) para me apoiar numa mensagem sobre a "banalização do mal", processo que estamos vivenciando na contemporaneidade do consumo, da reposição e do descarte.

Impossibilidades ou contingências são as desculpas mais comuns diante dos acontecimentos, obras e atos que afetam a vida das pessoas. Tolerância com o mal, em palavras diferentes.

Por isso, a permanente vigilância é a recomendação mais importante que se faz neste momento. Como na maioria das cidades brasileiras, o sinal vermelho está ligado.

Fui mexer nuns trabalhos acadêmicos dos tempos do Direito (FADOM 1999) e me deparei com Thomas Hobbes e com uma memória do notável jurista e professor Paulo de Melo Freitas (falecido), onde ele sublinhava por repetição que a humanidade não estava (de novo) muito distante do estado pré-social ou de natureza, descrito por Hobbes em sua obra Leviatã.

Dr. Paulo afirmava que o contrato social e a abdicação de certas liberdades em troca da convivência pacífica havia tirado o ser humano dessa condição primitiva, mas não acreditava que seria por muito tempo. Não errou, 14 anos depois.

Várias nações vivem nesse estado de "Bellum omnium omnes", que começou com a reação da população sofrida e espoliada pelas contingências e impossibilidades contra os ocupantes do poder e seus asseclas. Egito, Faixa de Gaza, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria são eloquentes exemplos desse processo reversivo ao estado de natureza.