Exaltação à ação, à luta desassombrada
(pela beleza e a bondade)

O que uma Palmeira gloriosa durante uma tempestade
disse ao Raio que a feriu de morte.


Acertaste, afinal, Raio ardente. Inimigo,
a haste encontras, enfim, tantas vezes buscada
em vão. Achas, enfim, a fronte erguida e casta
que jamais se curvou, que se enfrentou contigo
cem vezes, sem terror. E venceste. Obrigada.

É uma glória morrer na tormenta desfeita,
sob o vento, o granizo e o trovão; morrer quando
sobre mim se despenha o universal assalto;
resistir e cantar, sustentar-me direita,
na divina embriagues do perigo, e, cantando,
cair varada assim de um golpe que vem do alto. (...)

Vieste, de frente e de alto, e rápido caíste
cem vezes sobre mim. E cem vezes erraste
os golpes. E também cem vezes, sibilante,
o meu riso ressoou no espaço escuro e triste.
Mas agora venceste. Eis rota a umbela; eis a haste,
sempre em pé, mas rota. Eis-te, enfim, triunfante.

“Obrigada... O teu ódio audaz foi força minha.

[Excertos de Amadeu Amaral (1875-1929), em Espumas: “A Palmeira e o Raio”, 1917]