Um texto sobre traição e traidores
Filosofia da história:traidores atrasam, mas não impedem
Sem contar o caso do Capão da Traição, na Guerra dos Emboabas (1709), que pegou de surpresa e desarmada a milícia paulista anti-emboaba, temos na história vários episódios onde o traidor desempenhou papel decisivo. Essa pessoa sempre age ou em função da tortura, do medo covarde, do lucro imediato da delação ou da vaidade vingativa.
O capitão-mor de Pitanqui, sertanista Domingos Rodrigues do Prado (1719), liderava o primeiro movimento revolucionário contrário à cobrança do quinto sobre o ouro, mas foi traído pelo juiz local, que revelou ao Conde de Assumar, o tamanho da força da milícia rebelde, propiciando que esta fosse dizimada em surpreendente ataque massivo, em poucas semanas de lutas.
Os ricos comerciantes Pascoal da Silva Guimarães e Felipe dos Santos Freire lideravam uma revolta na região de Ouro Preto e Mariana (1720), contra os altos impostos cobrados, que passaram a incluir o imposto sobre a propriedade de escravos (capitação). Durante a ocupação da sede da Capitania, em Ouro Preto, os cerca de dois mil rebeldes foram rendidos pelas tropas de Assumar, e Pascoal (líder da revolta) indicou Felipe dos Santos como articulador principal e se safou, ganhando a liberdade em troca.
A Conjuração Mineira (1789), pelos mesmos motivos, promoveu um levante contra os abusos da Corte Portuguesa, propugnando por um país independente, republicano, sem escravagismo e pacífico. Mas no meio dessa turma havia o comerciante Silvério dos Reis, que, ao saber da deserção de Inácio Pamplona que não daria apoio militar ao movimento, correu e delatou o alferez Joaquim José da Silva Xavier; o que foi reforçado por outro comerciante da conjuração, Basílio de Brito, porque eram monarquistas contra a libertação dos escravos.
Esses alguns dos casos mais conhecidos, num recorte de 100 anos, da instituição da Capitania de Minas Gerais (1720) até a Independência (1822).
Considero traição um ato infame que desacredita quem assim se comporta. Lealdade ou fidelidade estão muito distantes dos políticos, em toda a história do Brasil, não é novidade, mas não impediram que o País seguisse seu destino.












