A escultura da Imaculada Conceição dos Aguapés encontrada ano passado no rio Itapecerica, é uma peça de uns 70 cm de altura, em madeira avermelhada, possivelmente de N. S. da Imaculada Conceição, recolhida do rio Itapecerica, na manhã de 21-11-2014, por operadores do papaguapés que trabalhavam no local.

Fixando-se no aspecto religioso e transcendental que esses acontecimentos carregam consigo, o aparecimento da estátua, cujo arquétipo é a Maternidade Divina da Imaculada Conceição, marcou o momentio porque ele coincidiu com o fechamento da maternidade do Hospital São João de Deus, no final daquela semana, superado dias depois.

Mas, para que esse lado espiritual prevaleça e signifique, a recuperação deveria estar acompanhada de “milagres” ou de eventos coincidentes e inesperados, como aconteceu com as redes rasgadas dos barqueiros de Aparecida.

Pois bem. Uma notícia do Portal do Centroeste, trouxe no dia matéria informando que o maquinista do papaguapés, Alexandre Loredo, pode ter presenciado dois momentos especiais, que se seguiram ao aparecimento da imagem:

— Um cara estava se afogando ali na frente, dentro do rio, e ao mesmo tempo que ele subiu a santa subiu junto — testemunha Loredo.

O maquinista conta que o motor de seu aparelho de remover aguapés caíra dentro d’água e ainda não havia recuperado:

— A gente amarrou a santa e jogou dentro do rio. Quando a gente puxou de novo, veio junto o motor e a santa” — conta.

A repórter Amanda Quintiliano perguntou sobre os milagres, mas “ninguém que estava no local soube confirmar”.

Um artista plástico local fez uma apreciação interessante sobre a peça:

— Tenho quase certeza de que essa peça é uma escultura inacabada. Digo isso porque a madeira trincou. Deve ser uma pessoa detalhista pelos entalhes finos que fez na cabeça (cabelos, capuz, olhos impassíveis etc.). A peça parece que está em fase de construção. O acabamento da cabeça não condiz com o da a mão esquerda sem a finalização. E as dobras do manto também ainda não foram concluídas.

Manoel Gonçalves (mestre escultor) também opinou e disse que havia muitas semelhanças com os cortes e entalhes de Saulo Félix (que se manteve em silêncio).

E o mistério continua, um ano depois..., com os aguapés, agora, sufocando o rio Pará.

[Foto de Aline Fonseca, disponível no Face]