A sirene (que já foi apito) “da Rede” é um típico bem histórico material e imaterial, tombado pela Lei Municipal 5.560/2003, em “referência à identidade, à ação, à memória e à alma do povo de Divinópolis”.

Por ser acionada dez vezes ao dia e com precisão, passou a ser ouvida como um relógio sonoro, nas manhãs: 6h30 (junto com o campanário de Santo Antônio), 6h45, 6h55 e 7h (e à tarde também, antes das 17h). Em 2002, na iminência de ser desativada, vários setores da sociedade reagiram de forma surpreendente, requerendo a sua permanência e funcionamento.

O pedido foi alcançado com manifestação da comunidade do bairro Esplanada e a intervenção de Maria Cristina Melo Mendes e outros funcionários da unidade Divinópolis junto da presidência da Ferrovia Centro Atlântica (FCA). O dirigente, pessoa que valorizava a memória ferroviária, se sensibilizou com a causa, encorajado estava pelo interesse da intelectualidade local, divulgado pela imprensa.

Este é o momento solene em que acompanho o maquinista Davi Guerra (o mais antigo ferroviário vivo) acionando a sirene restaurada. Davi Guerra já tinha completado 100 anos de idade e fez questão de estar acompanhado de seu foguista, também da mesma idade, o que ocorreu logo em seguida – os dois lúcidos e alegres com o momento.

Divinópolis é cheio de história...

A gente aqui rememorando o salvamento da sirene... Preciso acrescentar (e vou fazer isso no texto original) a importante atuação de Maria Angélica Oliveira, junto ao presidente da FCA, Engenheiro Thiers Manzano Barsotti (na foto, ele à esquerda). Maria Angélica também teve atuação decisiva na preservação do pontilhão Davi Guerra. A memória lhe fará jus.