Os "sete pecados capitais" do(a) Vereador(a)
Assim como a tradição cristã identificou sete pecados capitais que corroem a alma humana e a afastam do bem maior, a vida pública — especialmente no exercício do mandato legislativo municipal — também carrega seus próprios vícios graves, capazes de destruir a credibilidade, a confiança popular e a própria essência da representação democrática.Estes "pecados" não são meras falhas isoladas: são atitudes sistemáticas, escolhas repetidas que, quando praticadas, desvirtuam o papel do vereador, transformando-o de guardião do interesse coletivo em agente de prejuízo à sociedade que o elegeu.
Inspirados na clássica advertência contra os vícios que envenenam a conduta humana, apresento aqui os sete pecados capitais do vereador — males que, infelizmente, ainda se manifestam com frequência nas câmaras municipais brasileiras. Cada um deles carrega não apenas uma descrição de conduta reprovável, mas também a inevitável consequência que recai sobre quem os comete: a perda de respeito, a desmoralização pública e, muitas vezes, o fim político merecido.
Que esta lista sirva de alerta, de espelho e — quem sabe — de exame de consciência para quem ocupa (ou almeja ocupar) uma cadeira no Poder Legislativo municipal. Porque o mandato não é propriedade privada, nem palco para vaidades ou negócios pessoais: é uma responsabilidade temporária, sagrada, diante do povo.
Eis a lista:
1. Leviandade – quando denuncia sem provas ou critica sem fundamento, causando prejuízos a pessoas ou entidades. Não terá o respeito de seus pares, nem de quem o elegeu...
2. Delituosidade – quando desrespeita a ética e o decoro com espírito criminoso, procurando tirar proveito das questões econômicas, políticas e sociais que lhe vêm à mão. Será denunciado e processado e, depois, vítima da indiferença...
3. Fisiologismo – quando troca sua representatividade por benefícios pessoais ou vende seu voto em troca de “obras no meu bairro” ou de emprego para parentes e amigos. Seu comprometimento é demérito para sua vida pública...
4. Vaidade – quando ultrapassa o limite da autoestima e alcança o do orgulho, acreditando ser o centro do universo e que perto de si não há mais ninguém. Não vai conseguir adeptos para suas idéias e nem vai concretizá-las...
5. Hipocrisia – quando exagera em seus pronunciamentos e atos, escondendo suas convicções e segundas intenções, falando uma coisa e fazendo outra. Suas mentiras serão reveladas...
6. Demagogia – quando promete o que que não pode cumprir ou elogia o que não tem mérito, procurando apenas encobrir sua precária atuação social. Será desmascarado... 7. Omissão – quando se esquiva de problemas, por acreditar que nada pode fazer, ou quando não comparece regularmente às reuniões legislativas. Suas atitudes serão condenadas e punidas...
[Escrevi em 1998 para uma obra literária de Lindolfo Fagundes - até onde eu sei - inédita ainda].












