Dizia o senador Ruy Barbosa, sobre a fraqueza moral, naquela tarde de 17 de dezembro de 1914, sob aplausos:

A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vem nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade... promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Novamente, a atenção vai para além da poética, onde permanece a realística constatação de que, moralmente, pouco mudou desde que Ruy Barbosa assim protestou no Senado sobre o mistério da expedição do navio Satélite II, onde vários soldados foram executados sumariamente, ao fim da viagem.

Era o final de 1914: a Primeira Grande Guerra começava pela mesma fraqueza moral, que favorecia o obscurso, a corrupção, as "cortesanias" e a impunidade.

Passados mais de 100 anos, as palavras do senador sobre esse episódio parece que não passaram. Àquela realidade os tempos atuais apenas acrescentaram mais dissimulação e cinismo.