Estou aqui, observando a Diocese de Divinópolis celebrando os 250 anos de fundação da localidade que deu origem a Divinópolis, cujo marco foi uma capela dedicada ao Espírito Santo e São Francisco de Paula, erigida em 13 de janeiro de 1767.

Por falta de memória oficial, a municipalidade segue alheia a essa data e seu significado para a alma e identidade dos moradores desta divina localidade do Espírito Santo e São Francisco de Paula.

Essa foi uma das lutas pela memória que travei nesta cidade, desde o final dos anos 1980. Reconhecer essa data significa abandonar as lendas dos antigos que, não dispondo de documentos, arriscavam contos confusos, misturando tempo e lugares, que não se sustentam mais.

E nesta festejada capela (hoje uma catetral), em meio às comemorações, venho – com a humildade dos Mínimos – saudar e homenagear o bispo Dom José Belvino do Nascimento, que acreditou em nossa pesquisa e recuperou a devoção a São Francisco de Paula, nos anos 1990, religando o ontem e o hoje e impedindo Divinópolis de perder parte de sua alma.

Com a nova gestão na Secretaria Municipal de Cultura, espera-se que essa triste condição de cidade sem história e memória, que não reverencia seus vultos iminentes que dão continuidade cívica ao amor pelo lugar, não prossiga.

Como dizia o mestre Oscar Dias Corrêa (de Itauna, 1992): triste condição a de um lugar sem memória que “não revive na lembrança dos que lhe deram a vida e a alma” ou “se perde no eventual, no circunstancial, no passageiro, no efêmero, no fugaz do momento”.

Nossas homenagens também ao bispo Dom José Carlos, que dá continuidade a esse importante momento para a história de Divinópolis e que a mensagem de São Francisco de Paula seja inspiração para os divinopolitanos vencer as vissitudes e as dificuldades encontradas na “travessia”.