Trilhando as mesmas ruas
No silêncio do coração,encontro meu pai
Admirável homem guardião dos ofícios tradicionais e da religiosidade de sua terra italiana, Rivello. Salvatore Flora, pastor de ovelhas da família, premido pelas agruras e dificuldades do pós-guerra, também imigrou para o Brasil. “Toda crise tem uma saída por onde devemos seguir. Não segui-la pode ser pior”, me ensinara, quando me deixou também seguir livre pela vida, aos 17.
Alegre, disciplinado, expansivo, pacificador, impunha-se atividades físicas diárias como ritual de vida; cultivava hortaliças; cortava lenha diariamente; foi um próspero comerciário, exemplar; não construiu, mas ajudou a construir riquezas; não se importava muito em acumular. Era modesto, tinha uma letra impecável, inclinada; assistia missa, bebia vinho aos domingos e escrevia sempre para familiares na Itália.
“Para onde fores, Pai, para onde fores, /[Versos de Augusto dos Anjos]
Irei também, trilhando as mesmas ruas... /
Tu, para amenizar as dores tuas, /
Eu, para amenizar as minhas dores!”












