Uma história pouco contada.

O eremita São Francisco de Paula começou a ser cultuado na “passagem da Itapecerica” pela filha do fazendeiro João Pimenta Ferreira, desde pequena. Maria Alves Ferreira foi depositária de uma estatueta do santo, abandonada na “gurita” e recolhida pelo capitão-do-mato Francisco Ferreira Fontes, quando a capela foi transformada em "ermida", lá pelos idos de 1754.

A imagem esquecida

Como ninguém sabia que destino dar à estatueta do santo desconhecido, Maria a levou para seu quarto. Havia uma folha escrita com uma oração do santo, que sua mãe aprendeu a rezar todas as manhãs. Era diferente das orações tradicionais.

Depois disso, sucessivos eventos ocorreram na vida daquelas pessoas e mudaram para sempre “a itapecerica”. O fazendeiro mudou-se para Onça do Pitangui e abandonou suas terras na região – habitada pelos Caiapó do Sul (chamados de Canditeá) - em busca do conforto urbano e segurança para sua família.

Na mudança, a pequenina imagem em madeira foi esquecida entre os poucos móveis que ficaram na fazenda da Mata, causando um grande descontentamento em Maria. Constantemente, sonhava com ela um sonho recorrente, indicando que a estatueta não estava mais na casa da Mata, mas, sim, em local diferente, próximo a uma passagem do rio, no alto do morro, no chão entre pedras.

Essa visão lhe causava sentimento de culpa e muito sofrimento, que a perseguiu alguns anos.

A estatueta entre as pedras

Certo dia, Maria, já moça, veio a conhecer o famoso sertanista Manoel Fernandes Teixeira, que se mudara para Pitangui, viúvo, com quatro filhos pequenos, e se casou com ele, vindo morar na paragem da Itapecerica, com as quatro crianças.

O desejo de recuperar a estatueta perdida e a lembrança daquelas visões da adolescente motivaram Manoel a procurar a imagem nas imediações da “passagem” e lugares vizinhos, acabando por encontrá-la, meses depois, no alto do morro, à beira de um "capão de mato".

A construção da capela

Impressionado com esse misterioso achado, Manoel e alguns moradores decidiram levantar uma capela dedicada a São Francisco de Paula, depois consagrada também ao Espírito Santo, na formação da “paragem da Itapecerica”, em 1767.

Nessa época, o romântico casal estava morando definitivamente na paragem, iniciando-se o povoamento e a formação do arraial do Espírito Santo, em 1770.

Essa capela, a estatueta e tudo que havia dentro foram destruídos no incêndio de 1830. Em 1834, a comunidade inaugurou nova capela, recebendo uma nova imagem do santo.


Eu Sou o que Sou

Meu Deus que Eu Sou! No silêncio deste dia que amanhece, venho Te pedir a paz, a sabedoria e a força. Quero olhar hoje o mundo com os olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente. Ver além das aparências Teus filhos como Tu mesmo os vê, e assim ver senão o bem em cada um.

Cerra meus ouvidos a toda calúnia; guarda minha língua de toda maldade; que só de bênçãos se encha o meu espírito. Que eu seja bondoso e alegre e que todos quantos se chegarem a mim sintam Tua presença. Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que no decurso deste dia eu Te revele a todos.

[A oração de São Francisco de Paula, que Maria rezava todas as manhãs com sua mãe.]