As virtudes intelectuais na compreensão profunda das coisas
Eis uma interessante lista de virtudes intelectuais fundamentais traçadas pelo jornalista científico britânico David Robson, na sua obra The Intelligence Trap (A Armadilha da Inteligência). Para ele, adotar certas atitudes e disposições morais pode melhorar bastante o desempenho cognitivo e a percepção. Por isso, recomenda cultivar estas nove virtudes intelectuais:1 Curiosidade – O gosto de descobrir e explorar ideias e teorias, fatos e explicações, fenómenos e problemas em aberto.
2 Humildade – Para lembrar que as pessoas mais inteligentes, competentes, mas arrogantes, cometem erros que outras mais humildes e até menos inteligentes não cometem.
3 Autonomia – A capacidade para pensar por si próprio e para procurar ativamente informação relevante, a compreensão profunda e autêntica das coisas e crescimento cognitivo.
4 Atenção intensa – O exercício apropriado da racionalidade e do desenvolvimento humano que exige foco e dedicação, diferente da atenção fugaz em coisas irrelevantes.
5 Cuidado e Rigor – Dar sempre atenção aos erros e armadilhas cognitivas, sabidamente inevitáveis, e incluí-las em processos contínuos de correção.
6 Coragem – Decorre da visão objetiva de si mesmo, da situação em que a pessoa se encontre e do que a situação contribui ou não para a descoberta da verdade.
7 Tenacidade – Cultivar a tenacidade é enfrentar ativamente os desafios e não deixar de tentar ser bem-sucedido.
8 Ser exaustivo – Buscar explicações completas e compreensão integral, em vez de meras aparências das respostas fáceis e simplistas que se vê todos os dias na mídia e redes sociais.
9 Ter espírito aberto – Refere-se ao acolhimento de críticas, como algo construtivo que permite crescer em compreensão – ainda que a crítica seja maldosa.
O filósofo português Desidério Murcho, autor de Todos os Sonhos do Mundo e Outros Ensaios (2016), ao analisar essas nove virtudes propostas por David Robson (2019), sugeriu uma 10ª virtude:
10 Integridade intelectual – Distinguir o que é relevante para a descoberta da verdade e nunca colocar a atividade intelectual ao serviço do prestígio e da vaidade
Em seu artigo, no caderno “Estado da Arte” (do Estadão, hoje) Virtudes Epistémicas, Murcho destaca que o cultivar essas virtudes não deve ser um dever penoso, mas uma prática de hábitos, atitudes e traços de caráter para compreender melhor o mundo em que vivemos e que nos causa tanto medo, dúvidas e incertezas.
O gosto por descobrir e explorar ideias e teorias, factos e explicações, fenómenos e problemas em aberto, é o que alimenta a vida de muitos seres humanos que estão fascinados com a compreensão profunda das coisas. (Desidério Murcho, 2025)












