E fui encontrar em Carmo do Cajuru, 100 anos depois de sua morte, uma protagonista histórica com uma biografia incrível, cheia de curas, poderes sobrenaturais e vidências.

Maria Taveira (1845-1921), filha de escravizados da Costa da Mina e Cabinda, criada pelo padre Taveira, de quem herdou o sobrenome, foi uma mulher admirável.

Pelos seus contemporâneos era chamada de "santa de Cajuru".

Ficou 15 anos imóvel numa cama, rezando o terço todos os dias ao meio-dia, à espera de um anjo que vinha visitá-la.

E ele vinha sempre. Ficava diante da cama e ela com os braços elevados (únicos membros que movia lentamente, extática), cantava e depois ficava em silêncio, até o anjo se desvanecer.

Com seus "milagres" ganhava muitos presentes, incluindo dinheiro e jóias, boa parte entregue a padre José Alexandre que dirigia a construção da igreja matriz de N. S. do Carmo do Cajuru, especialmente, na fase de acabamento (entre 1909 e 12).

Segundo uma de suas cuidadoras, no seu quartinho simples, havia sempre aroma de rosas. Por isso, não gostava de flores em jarros dentro de casa. No seu sepultamento (24/09/1921), o perfume de rosas seguiu o féretro até o cemitério do Bonfim, onde jaz intocável em cova profunda.

Que Maria Taveira permaneça em eterno descanso entre os esplendores da luz divina. Que ela continue nos inspirando em verdade, compaixão e resiliência.

Ainda não encontramos uma fotografia dela.