De uvas, vinhos e carícias
Não mais te atordoes com o Humano e com o Divino. Os embaraços do futuro, abandona-os ao vento. E entre as tranças daquela que tal como esbelto ministro do vinho te vier servir, deixa que se percam teus dedos acariciantes.
Uma a uma das gotas que de nossas taças lançamos à terra - para que ela a beba - vai extinguir o ardor da angústia nos olhos ali escondidos, muito fundo, há muito e muito.
Sabeis, meus amigos, com que grande festim contraí segundas núpcias em minha casa; apartei de meu leito a velha e estéril Razão, e tomei a filha da Vinha como esposa.
Nada mais somos que uma fita de mágicas formas num jogo de sombras em movimento, que vem e vão ao redor da lanterna iluminada pelo sol e sustentada pelas mãos do Senhor do Espetáculo.
__________
Ousadia poética. Deja Vu (fugindo da realidade). Um poema montado com estrofes de Omar Khayyam (1040-1125), em Rubáiyát Trad. Cordélia Fontainha Seta (1949).












