Brasil segue entre os países mais desiguais do mundo
O World Inequality Report 2026, publicado pelo World Inequality Lab nesta quarta-feira (10), confirma que o Brasil permanece entre os países mais desiguais do planeta; um título persistente ao longo das últimas décadas. Segundo o documento, o cenário brasileiro não apenas segue crítico, como apresenta piora em indicadores-chave de renda e riqueza.
A elite econômica, formada pelos 10% mais ricos, concentra 59% de toda a renda nacional, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 9%. A distância entre esses grupos aumentou de forma expressiva: o índice que compara a renda média do topo com a da base passou de 53 para 63 entre 2014 e 2024.
O controle da riqueza
O recorte sobre riqueza revela desigualdades ainda mais profundas. O relatório mostra que os 10% mais ricos controlam 70% da riqueza total do país, e o 1% mais rico detém mais de um terço de todos os ativos nacionais. Em contraste, a metade mais pobre possui somente 2,4% da riqueza – proporção tão reduzida que praticamente a exclui da acumulação patrimonial e da mobilidade econômica de longo prazo.
A concentração no Brasil
A comparação internacional reforça a excepcionalidade brasileira. Enquanto países de renda elevada com forte redistribuição, como Canadá e boa parte da Europa, apresentam quedas moderadas ou estabilidade em seus índices de concentração, o Brasil se aproxima mais de nações marcadas por fragilidade institucional e baixa capacidade de tributação progressiva. O relatório destaca, por exemplo, que no Canadá o top 10% responde por 34% da renda, quase metade da fatia brasileira; já a base mais pobre recebe 17%, quase o dobro do que ocorre no Brasil.
Trabalho feminino
Outro ponto de destaque é o avanço limitado da participação feminina no trabalho. No Brasil, a taxa estabilizou-se em 37,4%, praticamente inalterada ao longo de uma década, enquanto países que investiram em políticas de cuidado e igualdade de gênero exibem crescimento consistente.
A discrepância global
O relatório também insere o Brasil no contexto mais amplo da desigualdade global, em alta histórica. Mundialmente, os 10% mais ricos acumulam 53% da renda e os 50% mais pobres apenas 8%. A elite global de ultrarricos – menos de 60 mil indivíduos – possui riqueza equivalente a três vezes a metade da população mundial.
A necessária tributação progressiva
O estudo aponta que desigualdade não é destino, mas resultado de escolhas institucionais. Países com sistemas progressivos de tributação, políticas de bem-estar social robustas e alto investimento em educação pública conseguem reduzir significativamente as disparidades. Na América Latina, no entanto, a capacidade redistributiva permanece limitada, e o Brasil permanece como caso emblemático dessa estagnação.
Com média de renda per capita de R$ 80 mil e riqueza média de R$ 296 mil, o país se situa numa posição intermediária global, mas combina esse patamar com níveis de desigualdade típicos de economias muito mais pobres. Essa “dupla penalização”, segundo especialistas do relatório, dificulta tanto a redução da pobreza quanto o fortalecimento da classe média.
Decisão política
O World Inequality Report 2026 conclui que enfrentar a desigualdade exige decisão política: ampliar a progressividade tributária, combater a evasão, investir em educação e fortalecer políticas de redistribuição. No caso brasileiro, os números deixam claro que, sem essas transformações, o país continuará a figurar entre os líderes mundiais de concentração de renda e riqueza; uma posição que desafia seu potencial econômico e democrático.
A elite econômica, formada pelos 10% mais ricos, concentra 59% de toda a renda nacional, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 9%. A distância entre esses grupos aumentou de forma expressiva: o índice que compara a renda média do topo com a da base passou de 53 para 63 entre 2014 e 2024.
O controle da riqueza
O recorte sobre riqueza revela desigualdades ainda mais profundas. O relatório mostra que os 10% mais ricos controlam 70% da riqueza total do país, e o 1% mais rico detém mais de um terço de todos os ativos nacionais. Em contraste, a metade mais pobre possui somente 2,4% da riqueza – proporção tão reduzida que praticamente a exclui da acumulação patrimonial e da mobilidade econômica de longo prazo.
A concentração no Brasil
A comparação internacional reforça a excepcionalidade brasileira. Enquanto países de renda elevada com forte redistribuição, como Canadá e boa parte da Europa, apresentam quedas moderadas ou estabilidade em seus índices de concentração, o Brasil se aproxima mais de nações marcadas por fragilidade institucional e baixa capacidade de tributação progressiva. O relatório destaca, por exemplo, que no Canadá o top 10% responde por 34% da renda, quase metade da fatia brasileira; já a base mais pobre recebe 17%, quase o dobro do que ocorre no Brasil.Trabalho feminino
Outro ponto de destaque é o avanço limitado da participação feminina no trabalho. No Brasil, a taxa estabilizou-se em 37,4%, praticamente inalterada ao longo de uma década, enquanto países que investiram em políticas de cuidado e igualdade de gênero exibem crescimento consistente.
A discrepância global
O relatório também insere o Brasil no contexto mais amplo da desigualdade global, em alta histórica. Mundialmente, os 10% mais ricos acumulam 53% da renda e os 50% mais pobres apenas 8%. A elite global de ultrarricos – menos de 60 mil indivíduos – possui riqueza equivalente a três vezes a metade da população mundial.
A necessária tributação progressiva
O estudo aponta que desigualdade não é destino, mas resultado de escolhas institucionais. Países com sistemas progressivos de tributação, políticas de bem-estar social robustas e alto investimento em educação pública conseguem reduzir significativamente as disparidades. Na América Latina, no entanto, a capacidade redistributiva permanece limitada, e o Brasil permanece como caso emblemático dessa estagnação.
Com média de renda per capita de R$ 80 mil e riqueza média de R$ 296 mil, o país se situa numa posição intermediária global, mas combina esse patamar com níveis de desigualdade típicos de economias muito mais pobres. Essa “dupla penalização”, segundo especialistas do relatório, dificulta tanto a redução da pobreza quanto o fortalecimento da classe média.
Decisão política
O World Inequality Report 2026 conclui que enfrentar a desigualdade exige decisão política: ampliar a progressividade tributária, combater a evasão, investir em educação e fortalecer políticas de redistribuição. No caso brasileiro, os números deixam claro que, sem essas transformações, o país continuará a figurar entre os líderes mundiais de concentração de renda e riqueza; uma posição que desafia seu potencial econômico e democrático.
Vozes Pertinentes
As desigualdades extremas são insustentáveis – para as nossas sociedades e para os nossos ecossistemas. Com base em quatro anos de trabalho de mais de 200 investigadores em todos os continentes, este relatório oferece um conjunto de ferramentas para informar o debate público, para compreender como as desigualdades económicas, sociais e ecológicas evoluem e se interligam – e para impulsionar a ação.
Lucas Chancel, codiretor do Laboratório Mundial da Desigualdade
“A história, as experiências em diversos países e a teoria demonstram que a desigualdade extrema atual não é inevitável. Tributação progressiva, investimentos sociais robustos, padrões trabalhistas justos e instituições democráticas reduziram as disparidades no passadoe e podem fazê-lo novamente. O Relatório Mundial sobre a Desigualdade fornece a base empírica e a estrutura intelectual para o que pode ser feito.”
Joseph E. Stiglitz, membro principal do Comitê Extraordinário de Especialistas Independentes do G20 sobre Desigualdade Global
“A desigualdade permanece silenciosa até se tornar escandalosa. Este relatório dá voz à desigualdade – e aos bilhões de pessoas cujas oportunidades são frustradas pelas estruturas sociais e econômicas desiguais da atualidade.”
Ricardo Gómez-Carrera, autor principal do relatório












