A nova ordem competitiva e os riscos globais
O Relatório de Riscos Globais 2025 do Fórum Econômico Mundial, divulgado hoje, aponta para um cenário global cada vez mais desafiador, marcado pela emergência de uma "nova ordem competitiva" entre as nações. Divulgado em contexto de tensões crescentes, o documento – baseado na consulta a mais de 1.300 líderes e especialistas de governos, empresas, academia, organizações internacionais e sociedade civil – descreve um mundo em transição para maior fragmentação, instabilidade e competição geoeconômica.A análise organiza os riscos em três horizontes temporais: imediato (este ano), curto a médio prazo (próximos dois anos) e longo prazo (próximos dez anos). Essa estrutura em "três tempos" revela como as preocupações evoluem, passando de conflitos e tensões econômicas imediatas para desafios ambientais e tecnológicos mais profundos no futuro.
Curto prazo: A "nova ordem competitiva" e instabilidade crescente
No horizonte de dois anos, o principal risco identificado é o confronto geoeconômico – uso de ferramentas como sanções, tarifas, restrições comerciais e controle de cadeias de suprimentos por grandes potências para assegurar influência. Esse fator subiu significativamente nas percepções dos entrevistados, refletindo a explosão de conflitos geoeconômicos que moldam uma nova dinâmica global, menos cooperativa e mais pragmática.
O relatório destaca que 40% dos respondentes projetam instabilidade nos próximos dois anos (um aumento de 14 pontos percentuais em relação à edição anterior), enquanto apenas 9% esperam estabilidade e 1% prevê calmaria. A metade dos especialistas antecipa um período "turbulento" ou "tempestuoso".
► Os dez maiores riscos globais (curto prazo, dois anos)
Confrontos geoeconômicos
Desinformação
Polarização na sociedade
Eventos climáticos extremos
Conflitos entre países
Insegurança cibernética
Desigualdade
Erosão dos direitos humanos ou de liberdade
Migração involuntária
Essa lista reflete tensões atuais, como guerras comerciais, polarização social amplificada por desinformação e impactos de conflitos armados em cadeias globais de suprimento, que ameaçam o crescimento econômico e a capacidade de cooperação em crises.
Børge Brende, presidente e CEO do Fórum Econômico Mundial, comentou:
Uma nova ordem competitiva está se formando à medida que as grandes potências buscam assegurar suas esferas de influência. Este cenário em transformação reflete uma realidade pragmática: abordagens colaborativas e o espírito de diálogo continuam sendo essenciais.
Longo prazo: Predominância de riscos ambientais e tecnológicos
Ao olhar para os próximos dez anos, o panorama se torna ainda mais preocupante: 57% dos entrevistados preveem um mundo turbulento, 32% instável e apenas 1% calma. Os riscos ambientais dominam o topo da lista, refletindo a urgência da crise climática.
► Os dez maiores riscos (longo prazo)
Condições climáticas extremas
Perda de biodiversidade e colapso do ecossistema
Mudanças críticas em sistemas terrestres
Desinformação
Adversidades com as tecnologias de inteligência artificial
Diminuição de recursos naturais
Desigualdade
Insegurança cibernética
Polarização na sociedade
Poluição
A inteligência artificial salta de posições baixas no curto prazo para o 5º lugar no longo prazo, revelando ansiedade sobre impactos no mercado de trabalho, segurança e controle social. Riscos econômicos como recessão, inflação e bolhas de ativos também ganham destaque, embora fiquem fora do top 10 imediato. 68% dos especialistas esperam uma ordem multipolar ou fragmentada na próxima década, um aumento de 4 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Uma chamada à responsabilidade compartilhada
Apesar do tom alarmista, o relatório – em sua 21ª edição – enfatiza que os riscos não são inevitáveis. Saadia Zahidi, diretora executiva do Fórum, destaca a responsabilidade coletiva para moldar o futuro por meio de diálogo e cooperação.
A publicação chega às vésperas da reunião anual em Davos, que servirá como plataforma para discutir esses desafios e oportunidades em um mundo mais complicado. O documento reforça a necessidade de equilibrar crises imediatas com ações de longo prazo para mitigar uma trajetória de maior instabilidade global.












