O Espinho e o Balão
Certa vez, em uma aldeia distante, um mestre sufi reuniu seus discípulos em um círculo silencioso e entregou um balão e um palito fino de madeira para cada um.
— Este é um exercício breve — disse o mestre com voz calma. — Aquele que, ao final destes poucos minutos, ainda conservar seu balão inteiro e cheio, receberá uma moeda de ouro.
Mal o mestre terminou de falar e o tempo começou, os discípulos se levantaram. Em vez de cuidarem do que lhes fora confiado, começaram a correr uns atrás dos outros, tentando furar com o palito o balão alheio. Risos nervosos misturavam-se a gritos, estalos enchiam a sala, fragmentos de borracha colorida caíam como folhas secas no chão. Cada um julgava que, destruindo o balão do vizinho, aumentaria suas próprias chances.
Quando o mestre ergueu a mão e o tempo terminou, o silêncio voltou, pesado. Apenas um discípulo permanecia sentado no canto, com o balão ainda inteiro repousando suavemente sobre suas pernas. O mestre chamou-o à frente, entregou-lhe a moeda de ouro e voltou-se para os demais.
— Observaram o que aconteceu? — perguntou, olhando nos olhos de cada um. — Eu nunca disse: “Destrua o balão do outro”. Apenas disse: “Guarde o seu cheio”. Havia ouro suficiente para todos vocês. Mas vocês escolheram a pressa da lança em vez da quietude da guarda. Enquanto se ocupavam em estourar o que pertencia ao próximo, seu próprio balão ficou vulnerável. E muitos se desfizeram.
Fez uma pausa, como quem deixa o vento carregar as palavras mais para o fundo.
— O balão é como a alma que lhes foi confiada. O palito é o pensamento afiado. A sala é o mundo. Quando o homem se volta para ferir o outro, esquece de proteger o que é seu. E o que é seu se perde, não por ação alheia, mas por sua própria distração.
Então o mestre sorriu levemente, como quem recorda um segredo antigo.
— Aquele que cuida do próprio balão com atenção amorosa não encontra tempo nem desejo de furar o do companheiro. Quando vocês param de competir para destruir, começam a construir para conservar. E é aí que o ouro verdadeiro – o da paz interior – se revela como consequência natural, mas tambéem como prêmio. Os discípulos baixaram os olhos. Alguns tocaram os fragmentos caídos no chão. Outros, em silêncio, começaram a soprar suavemente o que restava de seus balões, como quem pede perdão ao próprio coração.
E o mestre, sem mais palavras, apenas observou, pois algumas lições precisam ser respiradas, não apenas ouvidas.












